Sem Deus!!!!

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O verdadeiro valor do Natal!!!

Essa carta foi extraída do livro “Pulmão de aço – Uma vida no maior hospital do brasil” e um trecho em que Paulo, que vive sua vida toda dentro deste hospital longe da família, foi passar o final de semana do natal fora do hospital.

Vivi naquele final de semana um momento de extrema emoção. Sábado, dia 24 de dezembro de 2011, acordei de madrugada, para tomar banho. Pegava várias vezes meu celular, jogando uma coisa, para driblar a ansiedade.

Dentro da ambulância peguei meu I-Pod e coloquei uma música que combinava bastante com o dia, que nascia azul. Fiquei observando a paisagem na pequena janela. Só conseguia ver poucas árvores, muitos topos de prédios e o imenso céu.

Ao chegar à casa dos meus amigos, senti um ar delicioso, um aroma da natureza e uma liberdade que não me pertence.

Levaram-me ao salão de festas da casa da Sílvia e logo ela veio me apresentar seu filho, Felipe.

Sem poder falar, por ainda não estar ligado ao ventilador, apenas dei um sinal de positivo.

Fiquei vislumbrando o ambiente, a cor vinho do teto e alguns suportes de luz fluorescentes. Silvia disse que fez uma revolução na casa para me receber. Como eu não poderia subir as escadas, desceu tudo para os andares de baixo.

Poucos minutos após a minha chegada, me acomodaram no sofá. Observei todos os detalhes.

Por uma imensa janela que dava para ver o céu, uma grande árvore que tem um fruto chamado carambola e uma bananeira.

Logo que comecei a respirar bem, Felipe sentou ao meu lado, me observando. Ele ainda não tinha ouvido minha voz e se assustou quando eu disse “oi”. Ao longe, percebi outro garoto, que passou dentro da garagem. Pensei que seria alguma amigo de Felipe, mas logo descobri que era seu primo, Arthur.

Eu queria absorver cada segundo. Conheci o marido da Silvia, Oswaldo,  e seu irmão, Antônio.

Ela me preparou uma bandeja de um café da manhã totalmente especial. Panetone, pão francês, suco de laranja, dois pequenos bules, um com leite, o outro com café. Tinha também biscoitos de chocolate e melão.

Logo mais, Silvia veio me dizer o cardápio do almoço – dois tipos de macarrão, um alho e óleo e outro com carne moída. Indeciso, resolvi que queria um pouquinho de cada, além de um prato de salada.  Ainda bem que eu estava livre da comida do hospital.

Depois do almoço, conheci a Ju, filha da Silvia também. O tempo parou no instante em que a vi. Ela é um doce.

Passei um dia maravilhoso e vivi uma ceia incrível, com comidas deliciosas, risadas, preces e muito, muito amor.

Fui colocado em uma cama e levado a um cantinho da sala, mais escurinho. Ao acordar, já estava claro. Para saber as horas, procurei pelo iPod e vi que eram quase sete. Naquele momento, em meu silêncio, fiquei observando todo o ambiente. à minha esquerda, uma pequena janela indicava que seria um domingo nublado. à minha direita, na parede, a reprodução do rosto de Jesus.

Jecilene, uma das auxiliares de enfermagem que cuidam da Ju e nos ajudam no HC, apareceu e perguntou o que eu queria par tomar café. As opções eram tantas que fiquei indeciso. Silvia apareceu e deu a ideia de algo que nunca havia vivido na vida: arrastar a cama que eu estava deitado para perto da mesa, para que tomássemos café juntos, unidos.

Foi a primeira vez que fiz uma refeição como uma família. A mesa estava cheia de coisas gostosas, como pães, café, leite, melão, uva pêssego, panetone. Perguntei à Silvia se havia uma torradeira. Ela me mostrou que sim. Pedi a ela que torrasse uma fatia de panetone para ficar quentinho e crocante. Ela achou muito estranho, mas fez como eu pedi.

Por volta das 18 horas, Silvia disse que a Ju queria que eu assistisse com ela ao filme O expresso polar. Durante a exibição do filme, tive momentos de grande emoção. Pude segurar a mão da Ju.

Ela é extremamente inteligente. Prova disso foi um DVD que a professora dela exibiu no Natal, mostrando-a com várias atividades educativas. Ela responde perguntas de múltipla escolha piscando os olhos. Também gosta de pintar. A professora segura sua mão, molha nas tintas e desliza pelo papel. Ela dirige tudo com seus olhinhos expressivos.

Chegou a hora de eu partir. Momentos antes, em meu celular, recebo uma mensagem, de uma das minhas melhores amigas. Na mensagem ela pergunta se já estou voltando. Eu disse que estavam preparando minha partida. Minutos depois ela retorna com uma pergunta: Quer voltar para o hospital?

Sinceramente? Não.

Paulo com Ju. Atrás os pais da menina: Sílvia e Oswaldo.

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Que este texto possa colocar os frutos necessários no coração de cada um de nós.

Feliz Natal