Como fugir da impureza – Santo Afonso de Ligório

Retirado de “Tratado da Castidade”, de Santo Afonso de Ligório, o excerto abaixo é uma exortação às almas que querem fugir do pecado da impureza. São recomendadíssimas as palavras desse doutor da Igreja, especialmente para aqueles que estão afogados na lama do pecado da masturbação, da pornografia, da fornicação, do adultério. “Bem aventurados os puros”, diz Jesus.

 

Se fores, pois, molestada por tais tentações, alma cristã, não deves perder a coragem, antes, animosamente combater, empregando os meios que te vou indicar, e não sucumbirás:

a) O primeiro é humilhar-se continuamente diante de Deus. O Senhor castiga muitas vezes os espíritos soberbos, permitindo que caiam em qualquer pecado impuro. Sê, pois, humilde, e não confies em tuas próprias forças. Davi confessa que caiu no pecado por não ter se humilhado e ter confiado demais em si mesmo: “Antes de me haver humilhado, eu pequei” (Sl 118, 67). Devemos temer sempre a nossa própria fraqueza e colocar em Deus toda a nossa confiança, esperando firmemente que nos preserve desse vício.

 b) O segundo meio é recorrer imediatamente a Deus, sem entrar em diálogo com a tentação. Logo que se apresentar ao nosso espírito um pensamento impuro, devemos elevar a Deus imediatamente o nosso pensamento ou dirigi-lo a qualquer objeto indiferente. A coisa melhor será invocar imediatamente os Santíssimos Nomes de Jesus e Maria, e não cessar de repeti-los até desaparecer a tentação. Se ela for muito forte, será bom repetir muitas vezes o seguinte propósito: Ó meu Deus, prefiro morrer a Vos ofender. Peça-se socorro, dizendo: Ó meu Jesus, socorrei-me. Maria, assisti-me. Os Nomes de Jesus, Maria e José possuem uma força especial para afugentar as tentações do demônio.

 c) O terceiro meio é a recepção assídua dos Santos Sacramentos da Confissão e da Comunhão. É de suma importância revelar quanto antes ao confessor as tentações impuras. “Uma tentação revelada já está meio vencida”, diz São Filipe Néri. E se alguém teve a infelicidade de consentir em uma tentação, não se demore nenhum instante em se confessar disso.São Filipe Néri livrou um rapaz desse vício, induzindo-o a confessar-se logo depois de cada queda.

A Santa Comunhão, está fora de dúvida, confere uma grande força na resistência às tentações desonestas. O Sangue de Jesus Cristo, que recebemos na Sagrada Comunhão, é chamado pelos Santos de ‘Vinho gerador de Virgens’ (Zac 9, 17). O vinho natural é um perigo para a castidade; este Vinho Celestial é o seu conservador.

d) O quarto meio é a devoção à Imaculada Mãe de Deus, que é chamada a Virgem das Virgens. Quantos jovens não se conservaram puros e castos como Anjos, devido à devoção à Santíssima Virgem!

 e) O quinto meio é a fuga da ociosidade. O Espírito Santo diz (Ecli 33, 21): “A ociosidade ensina muita coisa má”, isto é, ensina a cometer muitos pecados. E o profeta Ezequiel (Ez 16, 49), assevera que foi a ociosidade a causa das abominações e ruína final dos habitantes de Sodoma. Conforme São Bernardo, a ociosidade motivou a queda de Salomão. Por isso São Jerônimo exorta a Rústico (Ep. ad Rust., 2) que esteja sempre ocupado, para que o demônio não o preocupe com suas tentações. “Quem trabalha é tentado por um demônio só; quem vive ocioso, é atacado por uma multidão deles”, diz São Boaventura.

 f) O sexto meio consiste no emprego de todas as precauções exigidas pela prudência, tais como a modéstia dos olhos, a vigilância sobre as inclinações do coração, a fugida das ocasiões perigosas, etc.”

Santo Afonso de Ligório

 

Sejamos puros. Só assim poderemos alcançar a glória do Reino de Deus.

Per Ipsum, et cum Ipso, et in Ipso!!

Marco Aurélio

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O Segredo de Francisco: Para todos os pregadores

Nenhum dos irmãos pregue contra a forma e a doutrina da santa igreja nem sem a permissão de seu ministro. O ministro, porém, tome cuidado de não a conceber indiscriminadamente. No entanto, todos os irmãos podem pregar pelas obras. E nenhum ministro ou pregador se arrogue o cargo de ministro dos irmãos ou o ofício da pregação como sua propriedade, mas à mesma hora que lhe for ordenado, deponha o seu cargo, sem nenhuma objeção. Suplico por isso na caridade “que é o próprio Deus” (1Jo 4,8), a todos os meus irmão que pregam, oram ou trabalham, sejam clérigos ou leigos, que tratem de se humilhar em tudo, nem se desvaneçam, nem sejam presunçosos, nem se envaideçam interiormente de belas palavras ou obras, enfim de nada do que Deus às vezes diz, faz e opera neles e por eles, conforme diz o Senhor: “Mas não vos alegreis de que os espíritos se vos submetam” (Lc 10,20).

E estejamos firmemente convencidos de que não temos coisa própria nossa senão os nossos vícios e pecados. Antes nos devemos regozijar “quando cairmos em diversas provações” (Tg 1,2) e sofremos neste mundo na alma e no corpo toda sorte de angústias e tribulações, por causa da vida eterna. Por isso vamos nós, irmãos todos, acautelar-nos de toda vanglória e soberba. Guardemo-nos das sabedoria deste mundo e da prudência da carne. Pois o espírito da carne tem grande interesse em fazer muito em palavras e pouco em obras, nem procura a piedade e santidade interior do espírito, mas antes avisa e deseja uma piedade e santidade que apareça por fora diante dos homens. E é de tais que diz o Senhor: “Em veredas vos digo, que esses já receberam sua recompensa” (Mt 6,2). Porém o espírito do Senhor exige que a nossa carne seja mortificada e desprezada, vil, abjeta e desprezível; e ele procura a humildade e a paciência e a pura, simples e verdadeira paz do espírito; e acima de tudo deseja sempre o temor de Deus, a sabedoria de Deus e o divino amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Atribuamos ao Senhor Deus altíssimo todos os bens, reconheçamos que todos os bens Lhe pertencem; demos-Lhe graças por tudo, pois d’Ele procedem todos os bens. E Ele, o altíssimo e soberano, o único e verdadeiro Deus, os possua com sua propriedade. E a Ele se deem, e receba toda honra e reverência, todo louvor e exaltação, toda ação de graças e toda glória, Ele a quem pertence todo o bem, e que “só Ele é bom” (Lc 18,19). De nossa parte, quando vemos e ouvimos alguém amaldiçoar, abençoemos; fazer o mal, façamos o bem; blasfemar, louvemos o Senhor, que é bendito por toda a eternidade.

Amém.

 

Escrito de São Francisco de Assis

Trecho do livro “São Francisco de Assis – O Santo da Humildade” – Coleção Mensagens Espirituais

 

Conhecer-se a si mesmo

Quando começamos a nos conhecer, vencemos as ilusões sobre nós mesmos

Conhecer-se a si mesmo! Essa velha máxima dos gregos atravessou milênios e chegou a nós cheia de vida e de importância. Sem se conhecer você não pode se construir como convém. E esta não é uma tarefa fácil. Ninguém se torna maduro e equilibrado sem se conhecer. Temos que ter coragem de olhar as escravidões e traumas que o passado possa ter deixado em nossa vida, não importa por quem e como, e buscar a liberdade e o equilíbrio.

Vivemos acreditando em um montão de coisas que não podemos ter, que não podemos ser, que não vamos conseguir. A única maneira de tentar de novo é não ter medo de enfrentar as barreiras, colocar muita coragem no coração e não ter receio de arrebentar as correntes!

Reconheça os seus valores e os empregue para o bem dos outros. Isso não é egoísmo nem soberba. Humildade não é ficar se desvalorizando ou pisando em si mesmo, é ser fiel à verdade sobre você.

Quando começamos a nos conhecer, vencemos as ilusões sobre nós mesmos; vamos deixando as máscaras e falsidades; deixamos o “palco” e entramos na vida real.

Quando você olha a vida de frente, toma posse dela. Não tenha medo de constatar as suas forças, fraquezas e erros. Assuma tudo e recomece a corrigir o que estiver errado, com calma e perseverança. Não é fácil se enfrentar e se superar, mas é necessário. É preciso querer. Saiba que os nossos comportamentos têm causas boas ou más; investigue-as; só assim você vai se conhecer. Sem medo. Não se esqueça, é claro, de anotar os seus valores; faça uma contabilidade correta. Na verdade, você vai descobrir que é um pouco santo e um tanto pecador; um tanto sábio e outro tanto tolo; um tanto mentiroso e um tanto honesto; um tanto qualificado e um tanto incompetente; um tanto alegre e um tanto triste… e mais.

Mas aprenda a amar-se e a aceitar-se com a devida tolerância para consigo mesmo. Quando fazemos um exame profundo de nosso interior experimentamos renascer em nós a liberdade e a vida. Assim os fantasmas da alma desaparecem e o seu verdadeiro eu pode erguer-se.

Preste atenção naquilo que as pessoas honestas falam de você, e você se conhecerá um pouco mais.

O que mais acontece nos relacionamentos humanos é o fato de as pessoas não verem e não assumirem as suas falhas, tentando sempre empurrar as culpas das coisas erradas para os outros; é o chamado “bode expiatório”.

Temos também que ter coragem de aceitar as boas críticas, pois nos fazem mais bem aqueles que honestamente nos criticam do que aqueles que nos bajulam. Os primeiros nos ajudam a crescer, os outros nos fazem orgulhosos.

Se você aprender a lidar com você mesmo, lidar com os outros será mais simples e você será feliz.

Professor Felipe Aquino

 

Conhecer-se e Perdoar-se (Padre Fabio de Melo)

A virtude da castidade – Pe. Paulo Ricardo

É importante guardar rigorosamente os sentidos

A virtude que se opõe à luxúria é a castidade. Por causa da expressão “voto de castidade”, muitos pensam que essa virtude esteja reservada para aqueles que não desejam se casar. Isso não é verdade.

A castidade é uma virtude para todos os cristãos: seja para os que ainda vivem num estado de vida transitório como solteiros, seja para os que já estão comprometidos com o celibato ou com o matrimônio.

A castidade é a virtude que permite consagrar a Deus a capacidade de desejar e de amar. E esta é uma necessidade de todo cristão.

Diante da doença da luxúria, a nossa atitude fundamental deveria ser de total confiança na graça de Deus e completa desconfiança de nós mesmos.

São Felipe Neri (1515 – 1595), o grande santo do bom humor, expressava essa atitude numa oração exemplar: “Ó meu Deus, não confieis em Felipe, porque caso contrário, ele trair-vos-á”. Esta confiança em Deus e desconfiança de si deveria ser aplicada não somente à vivência da castidade, mas tambem à nossa capacidade de conhecer a verdade da sexualidade. Quando se trata do mundo afetivo-sexual, o conhecimento da verdade pode ser alcançado, mas geralmente nos deparamos com armadilhas colocadas por nossa afetividade e sexualidade feridas.

Quando falamos de verdade da sexualidade, devemos levar em consideração que a palavra “verdade” pode ser compreendida a partir de dois pontos de vista: de Deus e do homem.

a) Verdade divina – Quando Deus pensa a verdade, Ele cria. Do ponto de vista de Deus, uma coisa é verdadeira se ela estiver de acordo com o divino projeto d’Ele. Antes da existência das coisas, o Todo-poderoso as pensou, e este “pensamento” é a verdade a respeito da criação. Quando uma criatura se afasta dessa verdade, ela está necessariamente se afastando de seu próprio ser. Este fenômeno é conhecido como morte.

b) Verdade humana – Quando o homem pensa a verdade, ele obedece. A verdade não é uma coisa que podemos projetar, inventar ou criar. O homem é uma criatura, por isso, se desejar conhecer a verdade, deverá humildemente mergulhar nas coisas, que já foram previamente criadas-pensadas por Deus. Para o homem, a verdade, neste mundo, estará sempre marcada pelo aspecto da busca e, uma vez encontrada, da obediência. Como já dizia Platão: “Uma verdade conhecida é uma verdade obedecida”.

Em resumo, para as coisas serem verdadeiras, elas precisam se adaptar a Deus (a); para o homem conhecer a verdade, ele precisa se adaptar às coisas (b). Mas, com o pecado original, o ser humano desenvolve dentro de si uma tendência de ocupar o lugar de Deus Pai. O homem, principalmente o homem moderno, está farto de obedecer à verdade (b), e se decidiu por construir ele mesmo a “sua” verdade, comportar-se como Deus criador (a).

O fato de o corpo contribuir para o surgimento da paixão pela luxúria requer que ela seja combatida também com remédios que envolvam o corpo. Uma vez que não vivemos isolados como os eremitas, é importante guardar rigorosamente os sentidos, especialmente o olhar e o tato. Quem crê que pode tudo, ouvir tudo e ver tudo se recusa a dominar a própria imaginação e suas necessidades afetivas. Na era da internet, da televisão e do cinema, é necessário mais que nunca escolher aquilo que vemos, para não transformar o nosso mundo interior numa lata de lixo. E apesar de escolhermos o que vamos assistir, devemos saber limitar a quantidade.

O controle do tato também é muito importante. A atitude espiritual diante do toque depende também das diferentes culturas e da sensibilidade de cada pessoa. Por isso se quiser encontrar um critério objetivo, seria oportuno que cada um observasse com sinceridade as consequências dos contatos gestuais nos sinais do próprio corpo e da própria fantasia.

(Artigo extraído do livro “Um olhar que cura”, p. 103/104/109/113)

Pe. Paulo Ricardo

 

O Segredo de Francisco: Do servo humilde de Deus

“Bem-aventurado o servo” (Mt 24,46) que não se envaidece com o bem que o Senhor diz e opera por meio dele mais do que com o que o Senhor opera por meio de outrem. Peca o homem que exige do seu semelhante mais do que ele mesmo daria de si ao Senhor seu Deus.”

Escrito de São Francisco de Assis

 

Trecho do livro “São Francisco de Assis – O Santo da Humildade” – Coleção Mensagens Espirituais.

O meu Ano da Fé: Deus Pai nos apresenta seu Filho Jesus

É impossível não se emocionar com o batismo de Jesus, onde o próprio Pai nos apresenta seu Amado Filho.

João Batista, o profeta que anunciou e nos apresentou Jesus, tinha com missão preparar o caminho do Senhor, já profetizado no antigo testamento, conforme  São Marcos citou no seu evangelho: “Uma voz clama no deserto: preparai o caminho para o Senhor! Endireitai para Ele os caminhos” (Is 40,3).

Segundo o CIC 535, João proclamava “um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados” (Lc 3,3). Uma multidão de pecadores, de publicanos e soldados, fariseus e saduceus e prostitutas vem fazer-se batizar por ele…”.

A figura e a mensagem de João Batista provocaram uma verdadeira reviravolta na atmosfera de Jerusalém naquela época, pois “finalmente estava de novo ali um profeta, cuja própria vida o identificava como tal. Finalmente se anuncia de novo a ação de Deus na história. João batizava com água, mas o “maior”, aquele que batizará com o Espírito Santo e com o fogo, já se encontra à porta“. (Trecho do livro Jesus de Nazaré – Papa Bento XVI)

Essa “popularidade” que João havia conquistado vem de encontro quando São Marcos nos afirma que muita gente vinha para ser batizado por João: “Toda a região da Judéia e todos os moradores de Jerusalém iam ao encontro de João. Confessavam os seus pecados, e João os batizava no rio Jordão“. (Mc 1,5)

A partir daí vemos como uma grande quantidade de pecadores vinham em procura de João Batista para confessarem os seus pecados. Até que então, Marcos narra o acontecimento que dá início a toda a nossa salvação:

Naqueles dias Jesus veio de Nazaré da Galiléia e foi batizado por João no Jordão” (Mc 1,9)

Até então tudo parecia se limitar na região da Judéia, mas então veio Jesus de longe, da Galiléia. Ele veio de outra região geográfica para ser batizado. E é aí que vem o ponto novo, o fato de  que Jesus queria ser batizado, pois veio de longe em busca desse objetivo.

Mas se o batismo de João era para os pecadores, como Jesus poderia querer ser batizado? Tinha ele pecados para querer confessá-los?

Creio que seja uma questão que até mesmo João indagou na época, tanto que ao ver Jesus ele o indagou:

Eu é que devia ser batizado por Ti e Tu vens ter comigo?” (Mt 3,14)

Mas é aí que Jesus nos responde à dúvida de João e nossa também:

Jesus porém respondeu-lhe: Deixa lá por agora, pois convém que se cumpra toda a justiça. João então permitiu-O“. (Mt 3,15)

O Papa Bento XVI, no seu livro ‘Jesus de Nazaré’ nos explica esta resposta de Jesus:

… Decisivo para a interpretação da resposta de Jesus é o sentido da palavra “justiça”: toda a “justiça” deve ser cumprida. Justiça é neste mundo, no qual Jesus está, a resposta do homem À Tora, aceitar toda a vontade de Deus, levar o “jugo do Reino de Deus”, tal como fora formulado. O batismo de João Batista não foi previsto pela Tora, mas Jesus reconhece-o com esta palavra – “justiça” – como expressão para o ilimitado sim à vontade de Deus, como acolhimento obediente do seu jugo.

O que é que Jesus fez então? São Lucas, que em todo seu evangelho dirige um olhar atento à oração de Jesus, que o representa sempre como o orante – em conversa com o Pai -, diz-no que Jesus recebeu o batismo enquanto orava (Lc 3,21). A partir da cruz e da ressurreição tornou-se claro para a cristandade o que estava acontecendo: Jesus tomou sobre os seus ombros o peso da culpa de toda a humanidade; Levou-o pelo Jordão abaixo. Ele inaugura seu ministério inserindo-se no lugar dos pecadores.”  (Trecho do livro Jesus de Nazaré – Papa Bento XVI)

Como não nos deixarmos contagiar com Jesus. Já no seu batismo tomou para si os nossos pecados e disse o seu “SIM” para os planos de Deus. Já no seu batismo Jesus tomou para si a missão de nos redimir de nossos pecados, a missão de carregar e morrer por nós na cruz. O que nós podemos fazer senão agradecer a Jesus por cada gota de sangue que ele derramou por nós?

Continuando então com o evangelho de Marcos, narrando o batismo de Jesus, foi aí então que Deus Pai nos apresenta se próprio Filho:

Logo que Jesus saiu da água, viu o céu se rasgando, e o Espírito, como pomba, desceu sobre ele. E do céu veio uma voz: Tu és o meu Filho amado; em ti encontro o meu agrado.” (Mc 1, 10-11)

Nesta linda cena, nosso próprio Pai nos apresenta Jesus como o seu Filho muito amado, por quem tem muito agrado, e que O enviou para nos salvar, para nos da uma nova chance, uma nova história onde o céu se abre e nos permite novamente estar em contato com a graça de Deus. E o Espírito Santo paráclito, que está com Jesus desde a sua concepção no ventre de Maria, desce sobre Ele.

O céu se rasga…” Como é forte essa expressão, se rasgas, como algo que antes estava fechado que como que forçado se rasga e deixa o que antes estava separado se junte novamente – Toda a nossa miséria e a infinita misericórdia de Deus!!!

E é assim que, depois de Marcos e João Batista nos apresentarem Jesus, o nosso próprio Deus Pai nos mostra quem é Jesus, seu Filho amado, que foi enviado com a missão ser Servo para sofrer por nós as dores da cruz.

Como diz o Catecismo da Igreja Católica:

O Batismo de Jesus é, da parte dele, a aceitação e a inauguração de sua missão de Servo sofredor. Deixa-se contar entre os pecadores; é, já, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29), antecipa já o “Batismo” de sua morte sangrenta. Vem, já, “cumprir toda a justiça” (Mt 3,15), ou seja, submete-se por inteiro à vontade de seu Pai: aceita por amor este batismo de morte para a remissão de nossos pecados. A esta aceitação responde a voz do Pai, que coloca toda a sua complacência em seu Filho. O Espírito que Jesus possui em plenitude desde a sua concepção vem “repousar” sobre Ele. Jesus será a fonte do Espírito para toda a humanidade. No Batismo de Jesus, “abriram-se os Céus” (Mt 3,16) que o pecado de Adão havia fechado; e as águas são santificadas pela descida de Jesus e do Espírito, prelúdio da nova criação.” (CIC 536)

Portanto, sepultemo-nos com Cristo pelo nosso Batismo, para ressuscitar com Ele; desçamos com Ele, para sermos elevados com Ele; subamos novamente com Ele, para sermos glorificados Nele.

Tudo o que aconteceu com Cristo Jesus dá-nos a conhecer que, depois da imersão na água, o Espírito Santo voa sobre nós do alto do Céu e que, adotados pela voz do Pai, nos tornamos filhos de Deus, e filhos muito amados.

 

Per Ipsum, et cum Ipso, et in Ipso!!

Marco Aurélio

O Segredo de Francisco: Elogio das Virtudes

Salve, rainha sabedoria, o Senhor te guarde por tua santa irmã, a pura simplicidade!

Senhora santa pobreza, o Senhor te guarde por tua santa irmã, a humildade!

Senhora santa caridade, o Senhor te guarde por tua santa irmã, a obediência!

Santíssimas virtudes todas, guarde-vos o Senhor, de quem procedeis e vinde a nós!

Não existe no mundo inteiro homem algum em condições de possuir uma de vós, sem que ele morra primeiro. Quem possuir uma de vós e não ofender as demais, a todas possui; e quem a uma ofender, nenhuma possui e a todas ofende. E cada uma por si destrói os vícios e pecados.

A santa sabedoria confunde a Satanás e todas as suas astúcias.

A pura e santa simplicidade confunde toda a sabedoria deste mundo e a prudência da carne.

A santa pobreza confunde toda a cobiça e avareza e solicitudes deste século.

A santa humildade confunde o orgulho e todos os homens deste mundo e tudo quanto há no mundo.

A santa caridade confunde todas as tentações do demônio e da carne e todos os temores carnais.

A santa obediência confunde todos os desejos sensuais e carnais e mantém o corpo mortificado para obedecer ao espírito e obedecer a seu irmão, e torna o homem submisso a todos os homens deste mundo, e nem só aos homens, senão também a todas as feras e animais irracionais, para que dele possam dispor a seu talante, até o ponto que lho for permitido do alto pelo Senhor (cf. Jo 19,11).

Escrito de São Francisco de Assis

Trecho do livro “São Francisco de Assis – O Santo da Humildade” – Coleção Mensagens Espirituais.

 

Per Ipsum, et cum Ipso, et in Ipso!!

Marco Aurélio

Santa Mônica e Santo Agostinho

O testemunho desses dois grandes santos, mãe e filho, é de grande conforto e ajuda para muitas famílias, especialmente nos dias de hoje.

Mãe e esposa, Santa Mônica ajudou seu marido, Patrício, a descobrir a fé em Jesus Cristo. Tendo ficado viúva muito cedo, ela se dedicou a cuidar de seus três filhos, entre os quais Santo Agostinho, que a fez sofrer muito, pelo seu comportamento – ele chegou a ter um filho com uma prostituta.

Mas o próprio Agostinho relatou em seus escritos que sua mãe o gerou duas vezes: “a segunda foi um parto espiritual, feito de orações e lágrimas, mas coroado de alegria de vê-lo não apenas abraçar a fé e receber o Batismo, mas também de se dedicar inteiramente a serviço de Deus”. Durante os meus programas de rádio e TV, sempre que ouço uma mãe pedindo oração pelo filho, lembro de Santa Mônica, pois ela persistiu na oração e alcançou a vitória em Deus.

Santo Agostinho é um exemplo para todos nós, pois toda a sua existência foi uma apaixonada busca da verdade. No final, depois de um longo tormento interior, descobriu Cristo, o sentido último e pleno da própria vida e de toda a história humana e chegou a escrever: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!” (Confissões).

Que Santa Mônica olhe por todas as mães aflitas que clamam por seus filhos e que Santo Agostinho interceda por tantos jovens sedentos de felicidade e que muitas vezes a buscam em caminhos errados. Amém.

Deus abençoe você e sua família.

Padre Reginaldo Manzotti

Construir um caminho de interioridade

Meus irmãos e irmãs, como é bom estarmos aqui reunidos neste Dia de Louvor. E o que faremos durante todo este dia? Louvaremos a Deus, meus irmãos! Sobretudo, louvaremos!

Estamos neste dia refletindo sobre a dinâmica do nosso interior. “No meu interior tem Deus” significa, em primeiro lugar, que Deus habita dentro de nós. Somos portadores da Sua presença.

Contudo, esta presença divina em nós é muito discreta. Ela exige de nós um processo de descoberta. Não se trata de um simples “passe de mágica”. Não basta estar ciente de que Deus está dentro de nós e pronto! Não, meus irmãos. É preciso fazer uma linda experiência com esta divina presença em nosso interior.

O nosso mundo é muito imediatista. Portanto, somos desafiados constantemente a fazer um caminho de interioridade. Precisamos construir esta interioridade .

Este processo de construção da própria interioridade não nos priva da luta. Precisamos nos empenhar neste processo de voltarmo-nos para dentro de nós mesmos. E isso não numa espécie de “ostracismo”, fechados egoísticamente em si, mas sim olhando para esta presença divina que age em nós e através de nós.

Não se iluda: viveremos a luta neste processo. Diante da perda de um ente querido, diante de uma situação de dor e de sofrimento, nós nos questionamos: “Por quê?” Mas a busca verdadeira que precisamos fazer nesta hora dolorosa é a de descobrirmos o sentido PARA o qual caminhamos mediante esta tribulação.

O beato João Paulo II nos ensinou a respeito da dolorosa experiência do silêncio de Deus. Não é fácil, meus irmãos, caminhar sem respostas. O mundo é muito imediatista. Lembra-se? Mas precisamos reconhecer que as respostas virão com o tempo, com os passos a serem dados a cada dia, dentro deste processo da busca de uma interioridade.

Deus quer falar ao nosso interior. E, neste caminho de regresso a uma interioridade, você precisa estar atento a coisas bem concretas. Jesus se fez humano, Ele se fez gente. E por que disso? Para carregar as nossas fragilidades e alegrias, para se fazer um de nós, exceto no pecado.

Deus não é distância. Ele é proximidade. Ele assumiu as nossas fraquezas. Mas, infelizmente, a gente fica se culpando pelas nossas limitações. Você não é o “super-homem” ou a “mulher-maravilha”. Você vai errar, pois ainda não é perfeito. Respeite a sua própria humanidade.

Quantas pessoas que vivem cobrando as outras porque, na verdade, elas mesmas se cobram demais. Pessoas que não conseguem se reconciliar com a sua própria história. Quem não consegue fazer uma experiência de fraqueza na vida terá muita dificuldade em reconhecer a grandeza do amor de Deus.

Deus nos ama não somente por aquilo que fazemos de bom. Ele também nos ama pelas nossas virtudes. Mas, saiba, Deus também nos ama a partir daquilo que trazemos de pior. Eis a gratuidade do amor de Deus! Ele nos ama com esse amor ágape. Um amor sem medidas e que vai ao encontro de nossas mais profundas misérias.

Neste caminho de interioridade quantas feridas, quantos recalques, quantas mágoas e ressentimentos encontraremos dentro de nós. Olhe quanto entulho há dentro de nós e que sufoca a voz de Deus em nosso interior. Não tenha receio de entrar nesta “caverna” e arrancar de lá estes entulhos. Reconcilie-se com a sua história!

Vamos encontrar muita coisa que não gostaríamos de nos deparar durante este caminho de regresso. Mas não desista! Vale a pena fazer este caminho regresso. Vale muito a pena descobrir Deus em nosso interior!

Agora, esta descoberta, nós não a fazemos sozinhos. Somente com o auxílio divino. É Deus que se deixa revelar a cada um de nós. Sozinhos nós não conseguimos remover estes escombros, estes entulhos. Somente Jesus, com o Seu jeito de ser e de falar, é que consegue extrair de nós o melhor que trazemos.

Quando nos depararmos com estes escombros, creia: Jesus nos ajudará. Ele mesmo virá em nosso auxílio para retirar estes entulhos que trazemos em nosso interior.

Veja o que nos afirma a Palavra de Deus em João 4,5-19:

Chegou, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto da propriedade que Jacó tinha dado a seu filho José. Havia ali a fonte de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se junto à fonte. Era por volta do meio dia. Veio uma mulher da Samaria buscar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber!” Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar algo para comer. A samaritana disse a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se relacionam com os samaritanos. Jesus respondeu: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te diz: ‘Dá-me de beber’, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva”. A mulher disse: “Senhor, não tens sequer um balde, e o poço é fundo; de onde tens essa água viva? Serás maior que nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual bebeu ele mesmo, como também seus filhos e seus animais?” Jesus respondeu: “Todo o que bebe desta água, terá sede de novo; mas quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede, porque a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna”. A mulher disse então a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir aqui tirar água”. Ele lhe disse: “Vai chamar teu marido e volta aqui!” — “Eu não tenho marido”, respondeu a mulher. Ao que Jesus retrucou: “Disseste bem que não tens marido. De fato, tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é teu marido. Nisto falaste a verdade”. A mulher lhe disse: “Senhor, vejo que és um profeta!

Preste atenção, meu irmão, neste diálogo. Veja a paciência com a qual Jesus tem para entrar na nossa história. Esta mulher samaritana tinha uma história “rasa”. Era uma mulher confusa, perdida, numa vida enrolada. Veja a pedagogia de Jesus: Ele vai pacientemente entrando na história desta mulher. Ele conversa com aquela mulher. Mostra a ela onde ela estava se machucando em sua vida. Mas Jesus não fica somente nisso. Ele também indica àquela mulher o que ela trazia de bom.

Jesus tem uma “água viva” para nos oferecer. Ele quer hoje saciar a nossa sede. A sede da nossa alma. Você que hoje está se machucando em meio aos vícios, à prostituição, à violência e tantos outros males, saiba: Jesus quer saciar a sede da sua alma! Deixe Ele entrar na sua vida e transformar o seu interior.

Jesus revela à samaritana sua identidade de filha de Deus. Hoje o Senhor quer fazer isso conosco: Ele nos revela a nossa identidade de filhos de Deus. Esta é a nossa real identidade. Somos feitos para a felicidade e não para a amargura. Entramos em crises profundas, vamos dando o pior que temos ao marido, à esposa e aos filhos, agimos com ignorância, tudo porque não fazemos este caminho de regresso a Deus em nosso interior e não descobrimos a Sua voz a nos revelar nossa verdadeira identidade de filhos de Deus.

Façamos hoje esta descoberta. Deixemos Jesus sentar-se ao lado do “poço” da nossa existência e falar conosco. Ele quer indicar nossas mazelas e a nossa real identidade. Desta forma, descobrimos a felicidade a partir da bela constatação de que no nosso interior tem Deus.

E, a partir desta constatação, ame concretamente. Porque no nosso interior tem Deus, podemos e devemos agir com amor e por amor. Hoje é o dia para você exercer gestos concretos de amor: um beijo, um abraço, um presentinho (quem não gosta de ganhar um?), um elogio, uma palavra de carinho, enfim, porque Deus habita dentro de nós e descobrimos a Sua presença em nosso interior, reconhecemos a força deste amor que supera todas as feridas e mágoas que trazemos.

 

Padre Adriano Zandoná 

Missionário da Comunidade Canção Nova