Os Anjos da Guarda na Voz dos Santos e Doutores da Fé

Santo Hilário

Bispo de Poitiers, Padre e doutor da Igreja.

* 315 em Poitiers (França).

+ 367 (mesmo lugar).

 

Os Anjos nos ajudam em nossa luta para nos mantermos fortes contra os poderes do mal. (…) Os puros espíritos foram enviados para o resgate da raça humana. Na verdade, pela nossa fraqueza, se os Anjos não viessem em nosso socorro, não poderíamos resistir aos ataques dos espíritos malignos. Precisamos da ajuda de uma natureza superior. Sabemos que foi com estas palavras que o Senhor fortaleceu Moisés, que tremia e temia: “Meu Anjo irá diante de ti.”.

(Comentários dos Salmos 65 e 134.)

 

São Basílio

Bispo de Cesareia, pai do monaquismo oriental e doutor da Igreja.

* 329 em Cesareia na Capadócia (Turquia).

+ 379 (mesmo lugar).

 

Entre os Anjos, alguns trabalham especialmente junto às nações, outros como companheiros dos fiéis. Todo crente tem um Anjo para guiá-lo como mestre e pastor; é o que nos ensina Moisés (Gn. 48,16).

Que cada fiel seja assistido por um Anjo, como mestre e protetor, que lhe reja a vida, ninguém, o poderá negar, se si lembrar das palavras do Senhor quando disse: Não desprezeis ao menor desses pequeninos; seus Anjos contemplam a face de meu Pai que está nos Céus.

(Contra Eunon, 1. III, n. 1.)

 

Orígenes

Teólogo e Padre da Igreja.

* 185 em Alexandria (Egito).

+ 253 em Tiro (Líbano).

 

Junto a cada homem existe sempre um Anjo do Senhor que o ilumina, o guarda e o protege de todo o mal.

Somos também devedores de nosso Anjo da Guarda, que contempla sempre o rosto do Pai que está nos Céus.

(Tratado sobre a oração, 28, 3.)

 

 

São Gregório Nazianzeno

Patriarca de Constantinopla e Padre da Igreja.

* 329 em Arianzo, na Capadócia (Turquia).

+ 389 (mesmo lugar).

 

Deus não deixou nossa franqueza sem ajuda; mas, destinou-nos um Anjo para auxiliar a vida de cada um de nós, e esse Anjo é de natureza totalmente incorpórea.

(De vita Moysis.)

 

São João Crisóstomo

Patriarca de Constantinopla e Padre e doutor da Igreja.

* Entre 344 e 354, em Antioquia (Síria).

+ 407 na Capadócia (Turquia).

 

Dirigindo-se aos fiéis em uma igreja dedicada aos mártires:

Sim, os Anjos estão aqui presentes; nesta reunião estão os Anjos e mártires. Querem vê-los? Então abram os olhos da fé, e contemplem o espetáculo. A atmosfera está repleta de Anjos (…). É tão verdade que o ar está povoado de Anjos, que o Apóstolo mostra-nos isso quando instrui as mulheres a que usem um véu sobre suas cabeças: “As mulheres devem ter um véu sobre a cabeça por causa dos Anjos” (1 Cor. 11,10). “Um Anjo, disse Jacó, protegeu-me desde a minha juventude” (Gn. 48,16).

De outra homilia sua:

O que é melhor? Falarmos sobre o vizinho e de negócios, ou de curiosidades? Ou falarmos dos Anjos, que são seres de singular riqueza?

 

São Jerônimo

Sacerdote, Padre e doutor da Igreja.

* Por volta de 347 em Stridon (Dalmácia).

+ 419 em Belém (Palestina).

 

Tão grande é a dignidade de cada alma, que ao nascer tem um Anjo destinado para sua guarda.

(In c. 18, Matth., sent. 99, Trie. T. 5, p. 256.)

 

Santo Ambrósio

Arcebispo de Milão (Itália), Padre e doutor da Igreja.

* 340 em Tréveris (Alemanha)

+ 397 em Milão (Itália)

 

Como podem os Anjos estar longe, quando nos foram dados por Deus para ajudar-nos? Eles não se apartam de nós, embora aquele que é assaltado pelas tentações, pense que estão longe…

(In Sl 37, 12.)

 

Santo Agostinho

Bispo de Hipona (Numídia), Padre e doutor da Igreja.

* 354 Tagaste (Numídia).

+ 430, em Hipona (África).

 

Toda coisa visível neste mundo é confiada a um Anjo.

(Oito Perguntas de Dulcício.)

Comentando o Salmo 103:

Conhecemos pela fé que existem os Anjos e lemos que estes apareceram a muitos, de maneira que não nos é lícito duvidar deles.

Formamos com os Anjos uma única cidade de Deus… da qual uma parte somos nós, peregrinos por este mundo, e a outra que são os Anjos, sempre prontos a nos socorrer.

(De Civitate Dei.)

 

São João Damasceno

Monge, Padre e doutor da Igreja.

* 650 em Damasco (Síria).

+ 750 perto de Jerusalém (Palestina).

 

Eles [os Anjos] são poderosos e estão prontos para cumprir a vontade de Deus. Também se deslocam rapidamente para onde Deus os ordenar. Eles mantêm a terra, presidem países e regiões. O Criador estabeleceu que eles devem levar até Ele nossos pedidos a fim de nos ajudar.

 

São Bernardo

Monge cisterciense, fundador da Abadia de Claraval, o berço dos reformadores beneditinos de Cister, doutor da Igreja.

* 1090 em Fontaine-lès-Dijon (Côte-d’Or).

+ 1153 em (Aube) Claraval.

 

Deus ordenou aos Anjos que te guardasse em teus caminhos. Estas palavras devem inspirar-te um grande respeito, devem infundir-te uma grande devoção e conferir-te uma grande confiança. Respeito pela presença dos Anjos, devoção por sua benevolência, confiança pela sua guarda. Porque eles estão presentes junto de ti, para teu bem. Estão presentes para te proteger, em teu benefício. E, ainda que estejam porque Deus lhes ordenou, nem por isso devemos deixar de lhes agradecer, pois cumprem com muito amor esta ordem e nos ajudam em nossas necessidades, que são grandes.

Ainda que sejamos menores de idade e ainda que tenhamos que percorrer um caminho tão largo e perigoso, nada devemos temer sob a guarda de guardiães tão exímios. Eles, os que nos guardam em nossos caminhos, não podem ser vencidos nem enganados, e menos ainda podem enganar-nos. São fiéis, são prudentes, são poderosos. Porque nos assustarmos? Basta que os sigamos, que nos unamos a eles, e viveremos assim, à sombra do Onipotente.

(Sermão 12, sobre o Salmo 91.)

 

Santo Anselmo

Monge de Bec (Normandia), Arcebispo de Canterbury (Inglaterra), doutor da Igreja.

* 1033 em Aosta (Piemonte, Itália).

+ 21 de abril de 1109 em Canterbury.

 

Que os vossos diálogos sejam sempre puros e que tratem sobre Deus; tomai como modelo os Anjos do Céu. Exceto nos cuidados que exige a fragilidade da natureza humana, vivei sempre (com o pensamento) no Céu, na consideração e imitação dos Anjos. Que esta contemplação seja a vossa soberana, que esta consideração seja a vossa regra.

Permanecei em harmonia com a vida angélica; odeiem o que se afasta dela. Pensai que os vossos Anjos – como declarou o Senhor – “contemplam incessantemente a face de meu Pai”, sem deixarem de estar presentes, vendo as vossas ações e os vossos pensamentos. Tende sempre o cuidado de viver como se experimentassem sensivelmente a presença deles.

 (Saint Anselme, Un croyant cherche à comprendre, Paris, le Cerf, 1970, Epître 230. (Chrétiens de tous les temps, 40).)

 

São Tomás de Aquino

Frade Dominicano e doutor da Igreja.

* 1225 em Rocasecca (Itália).

+ 1274 em Fossanova (Itália).

 

Os homens podem desprezar as inspirações que os Anjos bons lhes dão invisivelmente, iluminando-os para operar o bem; porém o livre arbítrio continua intacto. Por isso que, ao se condenar um homem, não se pode atribuir à negligência dos Anjos, mas tão somente à malícia dos homens.

(Suma Teológica 1, q. 113, a. I ad 2.)

 

Santa Francisca Romana

Casada e mãe de três crianças que faleceram bem cedo. É a fundadora da Congregação dos Oblatos Beneditinos.

*1384 em Roma (Itália).

+1440 (mesmo lugar).

 

O Anjo de Santa Francisca Romana

Santo Francisca Romana teve três crianças, dois filhos e uma filha, que criou no temor de Deus e na prática piedade. O mais novo viveu como um anjo e morreu aos nove anos. Pouco depois da sua morte, apareceu à sua mãe resplandecente de beleza. Falou-lhe da felicidade que provava ao Paraíso, e mostrou-lhe um homem belo e jovem que se encontrava ao seu lado: “Eis, disse, um Arcanjo enviado por Deus para assisti-la e acompanhá-la dia e noite.”.

Desde então, Francisca teve a consolação de ver o Arcanjo constantemente junto dela, de maneira sensível. Ele a advertia de suas faltas e, até mesmo, a punia. Um dia, na presença da santa, algumas pessoas matinham uma conversação frívola. Francisca teve o bom pensamento de interrompê-la; mas, retida pelo temor, hesitou… O seu Anjo aplicou-lhe sobre a face uma bofetada.

Tinha também a missão de protegê-la contra as investidas de Satanás, que, por inveja de sua santidade, enfurecia-se contra ela, lançava-a por terra, arrastava-a pelos cabelos e golpeava-a brutalmente.

(Canon Millot, Tesouro de Histórias para a Explicação da Doutrina Cristã, T.1. Paris, Lethielleux de 1909.)

 

São João da Cruz

Reformador da Ordem Carmelita e doutor da Igreja.

* 1542 em Fontiveros (Castela Velha, Espanha).

+ 1591 em Ubeda (Andaluzia, Espanha)

 

Parecer:

220. Os Anjos são os nossos pastores, eles não só levam a Deus nossas mensagens, como nos trazem também as de Deus. Eles alimentam nossas almas com suaves inspirações e comunicações divinas. Deus se vale deles para se comunicar conosco. Como bons pastores, protegem-nos e defende-nos contra os lobos, ou seja, os demônios.

221. Através de suas secretas inspirações, os Anjos procuram dar à alma um conhecimento mais elevado de Deus; abrazam-no de uma chama viva de amor para com Ele; até deixá-lo “ferido” de amor.

222. A mesma sabedoria divina que, no céu, ilumina os Anjos e os purifica de qualquer ignorância, ilumina também os homens sobre a Terra e o purifica dos seus erros ou imperfeições; se estende desde as primeiras hierarquias dos Anjos até as últimas, e por estas chega até o homem.

223. A luz de Deus ilumina o Anjo penetrando seu esplendeor e abrazando-o do seu amor, porque o Anjo é um puro espírito já disposto a esta participação divina. O mesmo não se dá com o homem, pois nele a iluminação é obscura, dolorosa e penosa, porque o homem é impuro e fraco, assim como a luz do sol não consegue iluminar olhos enfermos, e os faz sofrer.

224. Porém, quando o homem é realmente espiritual e está transformado pelo amor divino, que o purifica, recebe a união e a amorosa iluminação de Deus com uma suavidade semelhante à dos Anjos.

(Saint Jean de la Croix, Oeuvres spirituelles, Paris, Le Seuil, 1947. Avis et maximes, “Autres avis et maximes”, chapitre VII : Des Anges.)

 

São Pedro de Alcântara

Frade franciscano.

* 1499 em Estremadura (Espanha).

+ 1562 em Arenas de São Pedro (Espanha).

 

Considera também que nem o demônio, nem qualquer outra coisa, pode nos prejudicar sem licença de Nosso Senhor. Também considera que temos o Anjo de nossa guarda ao nosso lado, sobretudo durante a oração, porque ali está ele para nos ajudar e levar nossas orações ao céu e defender-nos do inimigo, que não pode fazer mal a nós.

(Tratado da Oração e Meditação.)

 

São Pedro Damião

Cardeal e doutor da Igreja.

* 1007 em Ravena.

+ 1072 em Óstia.

 

Todos os dias ofendemos de muitas maneiras os Anjos de nossa Guarda, e às ofensas ajuntamos a negligência em arrependermo-nos, mas eles, se bem que ultrajados pelas nossas injúrias, nos toleram e de nós se compadecem em nossas quedas.

(Serm. XLIII de Exalt. Crucis.)

 

São João Maria Vianney

Cura de Ars-sur-Formans.

* 1786 à Dardilly, perto de Lyon.

+ 1859 em Ars-sur-Formans.

 

O Anjo da Guarda está continuamente ao nosso lado para nos levar ao bem e defender-nos contra os anjos maus, que, incessantemente, rondam ao nosso redor para nos levar ao mal.

(Le Prêtre de Village, Jean-Marie-B. Vianney, par une Société, d’après les mémoires de

 M. Pierre Oriol et autres, Imprimerie administrative, Vve Chanoine, Lyon, 1875.)

É necessário, de manhã, ao acordar, oferecer a Deus o seu coração, o seu espírito, os seus pensamentos, as suas palavras, as suas ações, tudo mesmo, para servir unicamente à sua glória. Renovar as promessas do seu batismo, agradecer o seu Anjo da Guarda, e pedir proteção a este bom Anjo, que permanece ao lado de nós durante o nosso sono.

Se você está impossibilitado de orar, esconda-se atrás de seu bom Anjo e encarregue-o de rezar no seu lugar.

(Abbé A. Monnin, Esprit du Curé d’Ars, M. Vianney dans ses catéchismes,

ses homélies et sa conversation, Téqui, Paris, 1975 (50° mille).)

 

Santa Gemma Galgani

Virgem secular.

* 1878 na Camigliano (Toscana, Itália)

+ 1903 na Itália.

 

O texto abaixo é do Revmo. Pe. Germano de Santo Estanislau C.P., diretor espiritual de Santa Gemma.

Dado que Gemma encontrava-se predestinada a um grau muito elevado de felicidade celestial, era natural e conforme à Sabedoria divina que o Anjo nomeado para sua guarda tivesse dela um cuidado muito especial. A graça, que se manifestava além disso nesta alma afortunada em fenômenos tão prodigiosos, ia tomar corpo, de uma maneira não menos prodigiosa, na assistência do seu bom Anjo. (…)

Mais impressionante, neste suave comércio, era a presença sensível e quase contínua do Anjo. Gemma via-o através de seus olhos corporais, tocava-o pelas suas mãos, como uma pessoa viva, vinculava conversação com ele como com um amigo. “Jesus, escrevia-me, não o vejo há seis dias; mas não me deixou completamente só; o Anjo da Guarda continua de pé, visível, perto de mim.” Com quanta efusividade dava graças a Deus por este benefício, e testemunhava ao espírito que a protegia o seu reconhecimento! “Se algumas vezes sou má, caro Anjo, não se zangue; quero mostrar-lhe minha gratidão. / Sim, respondia o guarda celestial, serei o teu guia e o teu companheiro inseparável.”

O Anjo da Guarda de Gemma a vigiava, fazia-lhe café, explicava-lhe os Mistérios, abraçava-a, mas sobretudo ajudava-a melhor sofrer por amor a Cristo.

“O Anjo olhava-me, assim, afetuosamente! E quando chegou o momento de partir, enquanto aproximava-se de mim para beijar minha fronte, pedi que não me deixa-se ainda. Mas ele me disse:

– É necessário que eu vá!

– Então vá e sauda Jesus.

“Lançou-me um último olhar, dizendo-me:

“Não quero mais que você mantenha conversações com as criaturas; quando quiseres falar, fala com Jesus e com o teu Anjo.

“No dia seguinte, à mesma hora, ei-lo outra vez. Aproximou-se de mim, acariciou-me e, com afeição, não pude deixar de dizer-lhe:

– Ó meu Anjo, como eu te amo!”

Apesar de leiga, a bela virgem foi canonizada apenas 37 anos após sua morte. Devido a vários sinais sobrenaturais e curas inexplicáveis, Roma interessou-se por seu caso em 1917. Foi proclamada santa em 26 de março de 1936. Desde então, seu rosto continua a fascinar as multidões…

(R.P. Germain de Santo-Estanislau c.p. (director espiritual Gemma), a séraphique virgem de Lucques,

Gemma Galgani, Arras, Brunet, 1910. / In Pierre Jovanovic, Enquête sur l’existence des Anges gardiens

 Chap. 9: “Des stigmatisés et des Anges”. Réédition enrichie: Le Jardin des livres, 243 bis Boulevard Pereire, 75017

Paris / http://www.lejardindeslivres.com.)

 

São Padre Pio

Sacerdote capuchinho.

* 1887 em Pietrelcina (Benevento, Itália)

+ San Giovanni Rotondo (Itália)

 

Carta datada de 20 de abril de 1915, dirigida a Raffaelina Cerasi:

Ó Raffaelina, como é consolador saber que continuamos sob a guarda de um Anjo celestial que não nos abandona, mesmo (coisa admirável!) quando fazemos algo que desagrada a Deus… Tome o belo hábito de sempre pensar nele. Ao nosso lado, há um espírito celestial que, do berço ao túmulo, não nos deixa um só momento, que nos guia, nos protege como um amigo, como um irmão, que também nos consola sempre, especialmente nas horas que são, para nós, mais tristes. Saiba, Ó Raffaelina, que este bom Anjo ora por você, oferece a Deus todas as suas boas obras, os seus desejos santos e puros. Nas horas em que lhe parecer só e abandonada, não sinta pelo fato de não ter uma alma amiga, a quem possa abrir-se e a quem possa confiar os seus problemas; por caridade, não esqueça este invisível companheiro, sempre presente para ouvi-la, sempre pronto para consolá-la. Oh, deliciosa intimidade! Oh, feliz companhia!…

Correspondência do Padre Pio, recolhidos por Jean Derobert, Ed Hovine, 1987:

Lembre-se que estamos com Deus, quando nossa alma está em estado de graça, e longe dele, quando estamos em estado de pecado grave, mas seu Anjo – o nosso Anjo da Guarda – nunca nos abandona… É nosso amigo, o mais seguro e sincero, quando não estamos errados, (e também o é) para lamentar por nosso mau comportamento.

(Padre Pio, um Pensamento por Dia – Paris, Médiaspaul, 1991.)

Anjo da Guarda: Um Amigo Fiel para Todas as Horas

Desde o início de nossas vidas até o momento de passar para a eternidade, somos amparados pela proteção e intercessão de um anjo designado por Deus para nos guiar, proteger e orientar. Assim, cada um de nós tem um Anjo da Guarda.

Provavelmente, quase todos nós aprendemos em casa, ou nas aulas de catecismo, a clássica oração: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém”. Apesar disso, talvez tenha escapado alguma vez de nossos lábios uma pergunta, repassada mais de admiração do que de dúvida: “Então eu tenho mesmo um anjo incumbido por Deus de cuidar de mim?”

É realmente admirável o fato de cada um de nós possuir um anjo cuja missão específica é favorecer-nos em tudo quanto se relacione com nossa salvação eterna, mas é essa a realidade: Deus “os fez mensageiros de seu projeto de salvação”, afirma o Catecismo da Igreja Católica. E diz São Paulo: “Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, o qual lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?” (Hb 1,14).

“Grande é a dignidade das almas — exclama São Jerônimo —, quando cada uma delas, desde a hora de seu nascimento, tem um anjo destinado para sua custódia!”

É muito reconfortante saber que um ser superior à nossa natureza está continuamente a nosso lado; que ele, puro espírito, mantém-se na contemplação incessante de Deus e, ao mesmo tempo, vela por nós, quer-nos todo o bem, e seu objetivo é levar-nos para a felicidade perfeita e infindável do Céu.

Quando nos damos conta da presença desse incomparável guardião, estabelecemos com ele uma amizade firme e íntima, como descreve o grande escritor francês Paul Claudel: “Entre o anjo e nós existe algo permanente. Há uma mão que, ainda quando dormimos, não solta a nossa. Sobre a terra onde nos encontramos, compartilhamos o pulso e o latejar do coração desse irmão celeste que fala com o nosso Pai”.

Se tivéssemos maior confiança nesse celeste protetor, nesse bom amigo que nunca falha — ainda quando dele nos afastamos, por nossa má conduta —, seríamos capazes de recobrar a paz e o equilíbrio dos quais tanto precisamos!

A Bem-Aventurada Hosana Andreasi, de Mântua (Itália), ainda com seis anos de idade, tomara o gosto de passear pelas margens do Rio Pó, extasiada com a beleza do panorama. Um dia encontrava-se sozinha nesse lugar, quando de repente viu surgir diante de si um belo jovem, alto e forte. Nunca o havia visto antes… Surpresa, mas não amedrontada, ouviu o recém-chegado dizer com voz clara, ao mesmo tempo suave e firme: “A vida e a morte consistem em amar a Deus”. Sua surpresa aumentou quando o “jovem” a ergueu do chão e, olhando-a diretamente nos olhos, acrescentou: “Para entrar no Céu, você precisa amar muito a Deus. Ame-O. Tudo foi criado por Ele, para que as pessoas O amem”. Foi este o primeiro de numerosos encontros que Hosana teve, até seu falecimento (em 1505), com seu Anjo da Guarda.

Casos como esse, de relacionamento intenso com os anjos, não são nada raros. Santa Gemma Galgani (1878- 1903), por exemplo, teve a constante companhia de seu anjo protetor, com quem mantinha um trato familiar. Ele lhe prestava todo tipo de ajuda, até mesmo levando suas mensagens para seu confessor, em Roma.

Ainda mais próximos de nós, encontramos os episódios frequentes ocorridos com São Pio de Pietrelcina (1887- 1968), grande incentivador da devoção aos Anjos da Guarda. Em diversas ocasiões ele recebeu recados dos Anjos da Guarda de pessoas que, à distância, necessitavam de algum auxílio dele.

O Beato João XXIII, outro grande devoto dos anjos, dizia: “Nosso desejo é que aumente a devoção ao Anjo Custódio”.

Nosso anjo guardião está ao nosso lado, incansável, solícito, bondoso, pronto para nos ajudar em tudo quanto precisarmos — inclusive em nossas necessidades materiais —, mas especialmente para nos proporcionar os bens espirituais, auxiliando-nos a caminhar na via da virtude.

Estimado leitor, queira Deus que esses pensamentos, tirados da Revelação e do tesouro da Santa Igreja, possam nos ajudar a nos tornarmos mais próximos desses fiéis amigos celestiais, consolando-nos e animando- nos. E aumentar nossa vontade de recorrer a eles em todas as nossas necessidades.

Padre Carlos W. Benjumea