As delicadezas do amor de Deus

O amor consiste no seguinte: “Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele quem nos amou e nos enviou o seu Filho como vítima expiatória pelos nossos pecados” (I Jo 4,10) .

O fato de saber reconhecer as delicadezas do amor do Pai na trama ordinária da vida, é uma graça do Senhor. Moisés explicou muito bem isso ao povo, ao enumerar as provações, os sinais e os grandiosos prodígios que presenciou: “Até o dia de hoje, Javé não vos tinha dado um coração para compreender, olhos para ver e ouvidos para ouvir” (Dt 29,4).

Compreender, isto é uma autêntica revolução! Não somos nós que andamos a girar à volta de Deus, para tentar atingi-Lo e amá-Lo, mas é Ele quem gira à nossa volta, até o momento em que consegue uma brecha no nosso coração.

Senhor, dá-nos um coração sensível à Tua presença, para que possamos reconhecer-Te como Nosso Senhor e amigo.

Jesus, eu confio em Vós!

Luzia Santiago – Comunidade Canção Nova

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Alegre-se como Deus!!!

“DEUS ESTÁ NA SURPRESA E NO INESPERADO. QUANDO MENOS IMAGINAMOS SE IRROMPE NOS LUGARES COTIDIANOS MAIS INUSITADOS. HOJE PUDE VÊ-LO NO QUINTAL DA MINHA CASA. CHEGOU DE MANSINHO, COLHEU ALGUMAS JABOTICABAS, DEU COMIDA AOS PASSARINHOS E DEPOIS SE FOI, RINDO E PULANDO SOBRE AS MARGARIDAS PARA NÃO SE MACHUCAR.

DEUS É IGUAL A UM MENINO: ALEGRA-SE COM POUCA COISA!”

 

Padre Fábio de Melo

Contra capa do livro “É Sagrado Viver”

Amar plenamente é Graça de Deus!

Quem acompanhou o acampamento deste fim de semana que acontece na Canção Nova, o acampamento das novas e antigas comunidades, devem ter sentido  o mesmo que eu quando, no domingo, o Hamilton Apolônio da comunidade Boa Nova fez uma palestra sobre a graça de Deus em nossas vidas – A graça do carisma

Confesso que não conhecia o Hamilton Apolônio e quando percebi que, logo após uma ótima palestra do Padre Reginaldo Manzzotti, seria ele o palestrante fiquei um pouco ressabiado… Mas, para o meu bem, são nesses nossos momentos que o Espírito Santo gosta de agir bem diretamente… e esta palestra foi uma das que mais tocaram em mim… mesmo estando eu acompanhando pelo TV Canção Nova.

Hamilton estava nos explicando que amar não é um sentimento, nem simplesmente uma questão de escolha. Claro que depende de nós viver uma vida de amor, depende da nossa escolha, mas só a nossa escolha não nos leva a amar plenamente como Jesus amou… Amar como Jesus é Graça de Deus… É GRAÇA!!!!!

Ele contou dois testemunhos que fizeram com que eu enxergasse o quanto estou ainda longe de amar como deveria…

Primeiro testemunho: Uma mulher visitando um presídio, chamou atenção de um sacerdote por dar atenção e carinho a um dos jovens que estava preso. E quando todos questionavam se era a mãe daquele preso, o padre foi surpreendido ao saber que essa mulher era a mãe do jovem que ele matou.

Segundo testemunho: Hamilton contou que a comunidade Boa Nova tem um trabalho de hospedar os cuidar de pessoas que precisam de tratamentos, principalmente viciados em drogas e álcool, o que foi um discernimento difícil porque, enquanto comunidade de vida, já temos famílias e já moramos juntos, mas foi um pedido de Deus e nós assim o fizemos. Em um dos dias de triagem apareceu uma mulher com um homem nos braços todo ferido e machucado, onde via-se claramente a dependência do álcool. Ela então aproximou-se de Hamilton e pediu-lhe que cuidasse do homem. Hamilton então fez as peguntas iniciais e, intrigado com a atitude da mulher perguntou o que ele era dela… e foi então que a mulher respondeu que ele era o ex-marido dela que a deixou com as crianças a um bom tempo atrás por causa de outra mulher. E, naquele dia, passados já muitos anos que ele a deixou, ela, que é enfermeira, estava voltando para casa e reparou em um homem jogado no chão todo machucado e debilitado. Então quando chegou mais perto percebeu que era o homem que a havia abandonado. Mas ela cheia de amor não pensou em mais nada a não ser ajudá-lo. Hamilton então, tocado por esse gesto dela o pegou nos braços e correu com ele para conseguir a ajuda necessária.

Meus irmãos e minhas irmãs, que lindos gestos de amor essas duas pessoas viveram, um amor puro, sem ressentimentos, sem vingança… Um amor sem o desejo de retribuição. Um amor à pessoa que está junto de nós!!!

Ouvindo esses testemunhos percebi como eu quero e preciso viver esse amor, ter esse amor enraizado na minha vida.  Mas Hamilton nos explica que esse amor É GRAÇA!!! E como graça não vem por merecimento pois é GRAÇA!!!! é dado por Deus à nós quando estamos prontos.

Quantas vezes deixei de viver esse amor por mesquinharias do meu coração, poe deixar que a vingança, o orgulho e a vaidade tomassem conta de mim.

Jesus não olha o que a gente merece, mas o que precisamos. Isso é Graça. Tomemos posse da Graça.

Eu tomarei posse desta graça de Jesus e pedirei a Ele que me conduza a viver esse amor em minha vida!!!!

Deus é amor e eu quero ser de Deus… Quero pertencer a este Amor de Pai!!!!

Que você também possam tomar a decisão de viver este amor verdadeiro que é a Graça de Jesus.

 

Per Ipsum, et cum Ipso, et in Ipso!!

Marco Aurélio

Quem deseja amar não julga

Quem julga não tem tempo para amar” – Madre Tereza

A coisa mais fácil que existe é julgar. O amor é complicado, exige renúncia, sofrimento, desgaste físico e emocional; o amor nos pede para justificar o outro, abraçar e cuidar dos que não merecem. Se desejamos viver o amor, precisamos compreender que o princípio dele é acolher sem julgar nem condenar.

Um dos melhores caminhos para amar e aceitar o outro é conhecer a si mesmo e se reconhecer aceito por Deus. Quando percebemos tudo o que Jesus passou e enfrentou para nos acolher, entendemos que não somos dignos de julgar ninguém, pois fomos aceitos independentemente de nossas fraquezas e fracassos.

Quem aponta o outro, acaba apontando a si mesmo, diz Jesus: “Com o mesmo julgo com que julgares sereis julgados”. Que perigo corremos ao julgar o outro, não? Como podemos dizer que uns merecem a salvação e o perdão, mas outros não? Se nós apontarmos alguém, corremos o risco de ser apontados por nós mesmos em nossa atitude orgulhosa e inconsequente.

Veja o meu testemunho:

Um certo dia, vi uma pessoa pregando em um encontro; mas eu sabia que ela não levava um vida de santidade, então logo pensei: ‘Como podem colocar este cara para pregar?’. Fiquei com raiva.

Passado um tempo, fui chamado para pregar em um retiro e fui surpreendido com uma notícia: haviam chamado, sem querer, duas pessoas para fazer a mesma pregação.

O coordenador do retiro me chamou e explicou a situação: “Sei que você vai entender bem melhor, por isso queria saber se não se importaria se ele pregasse e você ficasse na intercessão”. Eu disse que não havia problema, pois estava ali para servir. Foi então que o outro pregador chegou. Adivinha quem era? O próprio rapaz que eu havia julgado.

Fui para capela morrendo de vergonha. Então, senti que Jesus estava me ensinando que não cabia a mim tal atitude. Pude viver a experiência do perdão e da aprendizagem.

Julgar meus irmãos e, pior ainda, condená-lo é uma atitude totalmente contrária à vontade de Deus. Somente Ele pode ser justo, porque somente Ele é santo. Precisamos aprender a amar sem jamais condenar. Deus irá nos capacitar.

Alan Ribeiro

Ministério Bethânia

Outonos e primaveras – Padre Fábio de Melo

Primavera é tempo de ressurreição. A vida cumpre o ofício de florescer ao seu tempo. O que hoje está revestido de cores precisou passar pelo silêncio das sombras. A vida não é por acaso. Ela é fruto do processo que a encaminha sem pressa e sem atropelos a um destino que não finda, porque é ciclo que a faz continuar em insondáveis movimentos de vida e morte. O florido sobre a terra não é acontecimento sem precedências. Antes da flor, a morte da semente, o suspiro dissonante de quem se desprende do que é para ser revestido de outras grandezas. O que hoje vejo e reconheço belo é apenas uma parte do processo. O que eu não pude ver é o que sustenta a beleza.

A arte de morrer em silêncio é atributo que pertence às sementes. A dureza do chão não permite que os nossos olhos alcancem o acontecimento. Antes de ser flor, a primavera é chão escuro de sombras, vida se entregando ao dialético movimento de uma morte anunciada, cumprida em partes.

A primavera só pode ser o que é porque o outono lhe embalou em seus braços. Outono é o tempo em que as sementes deitam sobre a terra seus destinos de fecundidade. É o tempo em que à morte se entregam, esperançosas de ressurreição. Outono é a maternidade das floradas, dos cantos das cigarras e dos assovios dos ventos. Outono é a preparação das aquarelas, dos trabalhos silenciosos que não causam alardes, mas que mais tarde serão fundamentais para o sustento da beleza que há de vir.

São as estações do tempo. São as estações da vida.

Há em nossos dias uma infinidade de cenas que podemos reconhecer a partir da mística dos outonos e das primaveras. Também nós cumprimos em nossa carne humana os mesmos destinos. Destino de morrer em pequenas partes, mediante sacrifícios que nos faz abraçar o silêncio das sombras…

Destino de florescer costurados em cores, alçados por alegrias que nos caem do céu, quando menos esperadas, anunciando que depois de outonos, a vida sempre nos reserva primaveras…

Floresçamos.

Padre Fábio de Melo

Conhecer-se a si mesmo

Quando começamos a nos conhecer, vencemos as ilusões sobre nós mesmos

Conhecer-se a si mesmo! Essa velha máxima dos gregos atravessou milênios e chegou a nós cheia de vida e de importância. Sem se conhecer você não pode se construir como convém. E esta não é uma tarefa fácil. Ninguém se torna maduro e equilibrado sem se conhecer. Temos que ter coragem de olhar as escravidões e traumas que o passado possa ter deixado em nossa vida, não importa por quem e como, e buscar a liberdade e o equilíbrio.

Vivemos acreditando em um montão de coisas que não podemos ter, que não podemos ser, que não vamos conseguir. A única maneira de tentar de novo é não ter medo de enfrentar as barreiras, colocar muita coragem no coração e não ter receio de arrebentar as correntes!

Reconheça os seus valores e os empregue para o bem dos outros. Isso não é egoísmo nem soberba. Humildade não é ficar se desvalorizando ou pisando em si mesmo, é ser fiel à verdade sobre você.

Quando começamos a nos conhecer, vencemos as ilusões sobre nós mesmos; vamos deixando as máscaras e falsidades; deixamos o “palco” e entramos na vida real.

Quando você olha a vida de frente, toma posse dela. Não tenha medo de constatar as suas forças, fraquezas e erros. Assuma tudo e recomece a corrigir o que estiver errado, com calma e perseverança. Não é fácil se enfrentar e se superar, mas é necessário. É preciso querer. Saiba que os nossos comportamentos têm causas boas ou más; investigue-as; só assim você vai se conhecer. Sem medo. Não se esqueça, é claro, de anotar os seus valores; faça uma contabilidade correta. Na verdade, você vai descobrir que é um pouco santo e um tanto pecador; um tanto sábio e outro tanto tolo; um tanto mentiroso e um tanto honesto; um tanto qualificado e um tanto incompetente; um tanto alegre e um tanto triste… e mais.

Mas aprenda a amar-se e a aceitar-se com a devida tolerância para consigo mesmo. Quando fazemos um exame profundo de nosso interior experimentamos renascer em nós a liberdade e a vida. Assim os fantasmas da alma desaparecem e o seu verdadeiro eu pode erguer-se.

Preste atenção naquilo que as pessoas honestas falam de você, e você se conhecerá um pouco mais.

O que mais acontece nos relacionamentos humanos é o fato de as pessoas não verem e não assumirem as suas falhas, tentando sempre empurrar as culpas das coisas erradas para os outros; é o chamado “bode expiatório”.

Temos também que ter coragem de aceitar as boas críticas, pois nos fazem mais bem aqueles que honestamente nos criticam do que aqueles que nos bajulam. Os primeiros nos ajudam a crescer, os outros nos fazem orgulhosos.

Se você aprender a lidar com você mesmo, lidar com os outros será mais simples e você será feliz.

Professor Felipe Aquino

 

Conhecer-se e Perdoar-se (Padre Fabio de Melo)

A virtude da castidade – Pe. Paulo Ricardo

É importante guardar rigorosamente os sentidos

A virtude que se opõe à luxúria é a castidade. Por causa da expressão “voto de castidade”, muitos pensam que essa virtude esteja reservada para aqueles que não desejam se casar. Isso não é verdade.

A castidade é uma virtude para todos os cristãos: seja para os que ainda vivem num estado de vida transitório como solteiros, seja para os que já estão comprometidos com o celibato ou com o matrimônio.

A castidade é a virtude que permite consagrar a Deus a capacidade de desejar e de amar. E esta é uma necessidade de todo cristão.

Diante da doença da luxúria, a nossa atitude fundamental deveria ser de total confiança na graça de Deus e completa desconfiança de nós mesmos.

São Felipe Neri (1515 – 1595), o grande santo do bom humor, expressava essa atitude numa oração exemplar: “Ó meu Deus, não confieis em Felipe, porque caso contrário, ele trair-vos-á”. Esta confiança em Deus e desconfiança de si deveria ser aplicada não somente à vivência da castidade, mas tambem à nossa capacidade de conhecer a verdade da sexualidade. Quando se trata do mundo afetivo-sexual, o conhecimento da verdade pode ser alcançado, mas geralmente nos deparamos com armadilhas colocadas por nossa afetividade e sexualidade feridas.

Quando falamos de verdade da sexualidade, devemos levar em consideração que a palavra “verdade” pode ser compreendida a partir de dois pontos de vista: de Deus e do homem.

a) Verdade divina – Quando Deus pensa a verdade, Ele cria. Do ponto de vista de Deus, uma coisa é verdadeira se ela estiver de acordo com o divino projeto d’Ele. Antes da existência das coisas, o Todo-poderoso as pensou, e este “pensamento” é a verdade a respeito da criação. Quando uma criatura se afasta dessa verdade, ela está necessariamente se afastando de seu próprio ser. Este fenômeno é conhecido como morte.

b) Verdade humana – Quando o homem pensa a verdade, ele obedece. A verdade não é uma coisa que podemos projetar, inventar ou criar. O homem é uma criatura, por isso, se desejar conhecer a verdade, deverá humildemente mergulhar nas coisas, que já foram previamente criadas-pensadas por Deus. Para o homem, a verdade, neste mundo, estará sempre marcada pelo aspecto da busca e, uma vez encontrada, da obediência. Como já dizia Platão: “Uma verdade conhecida é uma verdade obedecida”.

Em resumo, para as coisas serem verdadeiras, elas precisam se adaptar a Deus (a); para o homem conhecer a verdade, ele precisa se adaptar às coisas (b). Mas, com o pecado original, o ser humano desenvolve dentro de si uma tendência de ocupar o lugar de Deus Pai. O homem, principalmente o homem moderno, está farto de obedecer à verdade (b), e se decidiu por construir ele mesmo a “sua” verdade, comportar-se como Deus criador (a).

O fato de o corpo contribuir para o surgimento da paixão pela luxúria requer que ela seja combatida também com remédios que envolvam o corpo. Uma vez que não vivemos isolados como os eremitas, é importante guardar rigorosamente os sentidos, especialmente o olhar e o tato. Quem crê que pode tudo, ouvir tudo e ver tudo se recusa a dominar a própria imaginação e suas necessidades afetivas. Na era da internet, da televisão e do cinema, é necessário mais que nunca escolher aquilo que vemos, para não transformar o nosso mundo interior numa lata de lixo. E apesar de escolhermos o que vamos assistir, devemos saber limitar a quantidade.

O controle do tato também é muito importante. A atitude espiritual diante do toque depende também das diferentes culturas e da sensibilidade de cada pessoa. Por isso se quiser encontrar um critério objetivo, seria oportuno que cada um observasse com sinceridade as consequências dos contatos gestuais nos sinais do próprio corpo e da própria fantasia.

(Artigo extraído do livro “Um olhar que cura”, p. 103/104/109/113)

Pe. Paulo Ricardo

 

Jovem, reconheça a queda e levante a cabeça!

Quero lhe falar de uma história real… Trata-se da vida de um jovem que aos 25 anos de idade não tinha mais nenhuma perspectiva, não conseguia ver esperança, era só um vazio existencial.

Os dias iam passando e o desespero aumentava no coração por não avistar uma saída. A entrada para o mercado de trabalho lhe parecia muito difícil, sem faculdade e sem currículo, quem o contrataria e quanto ganharia? Pois quem ganha bem é quem tem um excelente currículo e uma boa formação acadêmica. Casar-se e formar família também era complexo, já que não conseguia dirigir a sua própria vida, então não conseguia mirar uma vida de fidelidade a uma única mulher, outro ponto se tornava mais distante ainda: ter filhos e dar-lhes educação moral e cristã.

Situações que resultavam numa conclusão: sem perspectiva profissional e sem perspectiva de ser bom esposo e bom pai. Além desses fatos, tinha jogado fora todas as oportunidades que estiveram em suas mãos, uma delas a carreira profissional de futebol de salão. O mais complicado para este jovem era achar que não tinha mais jeito de dar a volta por cima, não existia esperança em sair  do caos.

Não sei a sua idade, nem o que são as suas perdas. Só sei de uma coisa, em meio a uma situação de desesperança, é hora de tomar cuidado para não perder estes dois valores: a alegria e a esperança.

A letra da música diz: “reconhece a queda e não desanima, levanta sacode a poeira e da à volta por cima”. Jovem, é preciso reconhecer a queda, reconhecer a perda, reconhecer-se pequeno e não desanimar.

Consciente que para levantar e dar à volta por cima é preciso o auxílio de cima, do alto, do céu. Levante a cabeça, acredite, é possível começar um tempo novo! Levantar-se sem Deus é arriscado e levantar-se Com Deus é humildade.

A alegria do coração é a vida da pessoa, tesouro inesgotável de santidade, a alegria da pessoa prolonga-lhe a vida. Tem compreensão contigo mesmo e consola teu coração; afugenta para longe de ti a tristeza. A tristeza matou a muitos e não traz proveito algum.” (Eclo 30,23-25). Essa passagem bíblica nos apresenta um valor que deve ser cultivado, a alegria. Jovem, não deixe que nenhuma perda lhe roube a alegria. Somente essa perda deve nos questionar: “sem mim nada podeis fazer”, viver a vida sem Jesus, isso sim é perder a esperança de dias melhores.

Jesus é o seu amigo e está junto de você nestes momentos tão difíceis. Jesus é o único que não pode se fazer presente na sua lista de perdas. Eu vos chamo amigos” (Jo 15, 15).

O lindo desafio para este dia é virar a folha e começar a escrever um tempo novo. Coloque no inicio dessa folha “Jesus é meu amigo” e isso me basta para dar a volta por cima.

Este jovem hoje tem 43 anos de idade, casado há 15 anos e tem três filhos. Este jovem sou eu! Hoje sou “semeador de alegria e esperança” e aprendiz em descobrir valores em meio às perdas.  e nunca  me canso de repetir:  ”Com Deus Tem Jeito!

Cleto Coelho

Missionário Canção Nova

Blog: http://blog.cancaonova.com/temjeito/

 

Construir um caminho de interioridade

Meus irmãos e irmãs, como é bom estarmos aqui reunidos neste Dia de Louvor. E o que faremos durante todo este dia? Louvaremos a Deus, meus irmãos! Sobretudo, louvaremos!

Estamos neste dia refletindo sobre a dinâmica do nosso interior. “No meu interior tem Deus” significa, em primeiro lugar, que Deus habita dentro de nós. Somos portadores da Sua presença.

Contudo, esta presença divina em nós é muito discreta. Ela exige de nós um processo de descoberta. Não se trata de um simples “passe de mágica”. Não basta estar ciente de que Deus está dentro de nós e pronto! Não, meus irmãos. É preciso fazer uma linda experiência com esta divina presença em nosso interior.

O nosso mundo é muito imediatista. Portanto, somos desafiados constantemente a fazer um caminho de interioridade. Precisamos construir esta interioridade .

Este processo de construção da própria interioridade não nos priva da luta. Precisamos nos empenhar neste processo de voltarmo-nos para dentro de nós mesmos. E isso não numa espécie de “ostracismo”, fechados egoísticamente em si, mas sim olhando para esta presença divina que age em nós e através de nós.

Não se iluda: viveremos a luta neste processo. Diante da perda de um ente querido, diante de uma situação de dor e de sofrimento, nós nos questionamos: “Por quê?” Mas a busca verdadeira que precisamos fazer nesta hora dolorosa é a de descobrirmos o sentido PARA o qual caminhamos mediante esta tribulação.

O beato João Paulo II nos ensinou a respeito da dolorosa experiência do silêncio de Deus. Não é fácil, meus irmãos, caminhar sem respostas. O mundo é muito imediatista. Lembra-se? Mas precisamos reconhecer que as respostas virão com o tempo, com os passos a serem dados a cada dia, dentro deste processo da busca de uma interioridade.

Deus quer falar ao nosso interior. E, neste caminho de regresso a uma interioridade, você precisa estar atento a coisas bem concretas. Jesus se fez humano, Ele se fez gente. E por que disso? Para carregar as nossas fragilidades e alegrias, para se fazer um de nós, exceto no pecado.

Deus não é distância. Ele é proximidade. Ele assumiu as nossas fraquezas. Mas, infelizmente, a gente fica se culpando pelas nossas limitações. Você não é o “super-homem” ou a “mulher-maravilha”. Você vai errar, pois ainda não é perfeito. Respeite a sua própria humanidade.

Quantas pessoas que vivem cobrando as outras porque, na verdade, elas mesmas se cobram demais. Pessoas que não conseguem se reconciliar com a sua própria história. Quem não consegue fazer uma experiência de fraqueza na vida terá muita dificuldade em reconhecer a grandeza do amor de Deus.

Deus nos ama não somente por aquilo que fazemos de bom. Ele também nos ama pelas nossas virtudes. Mas, saiba, Deus também nos ama a partir daquilo que trazemos de pior. Eis a gratuidade do amor de Deus! Ele nos ama com esse amor ágape. Um amor sem medidas e que vai ao encontro de nossas mais profundas misérias.

Neste caminho de interioridade quantas feridas, quantos recalques, quantas mágoas e ressentimentos encontraremos dentro de nós. Olhe quanto entulho há dentro de nós e que sufoca a voz de Deus em nosso interior. Não tenha receio de entrar nesta “caverna” e arrancar de lá estes entulhos. Reconcilie-se com a sua história!

Vamos encontrar muita coisa que não gostaríamos de nos deparar durante este caminho de regresso. Mas não desista! Vale a pena fazer este caminho regresso. Vale muito a pena descobrir Deus em nosso interior!

Agora, esta descoberta, nós não a fazemos sozinhos. Somente com o auxílio divino. É Deus que se deixa revelar a cada um de nós. Sozinhos nós não conseguimos remover estes escombros, estes entulhos. Somente Jesus, com o Seu jeito de ser e de falar, é que consegue extrair de nós o melhor que trazemos.

Quando nos depararmos com estes escombros, creia: Jesus nos ajudará. Ele mesmo virá em nosso auxílio para retirar estes entulhos que trazemos em nosso interior.

Veja o que nos afirma a Palavra de Deus em João 4,5-19:

Chegou, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto da propriedade que Jacó tinha dado a seu filho José. Havia ali a fonte de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se junto à fonte. Era por volta do meio dia. Veio uma mulher da Samaria buscar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber!” Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar algo para comer. A samaritana disse a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se relacionam com os samaritanos. Jesus respondeu: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te diz: ‘Dá-me de beber’, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva”. A mulher disse: “Senhor, não tens sequer um balde, e o poço é fundo; de onde tens essa água viva? Serás maior que nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual bebeu ele mesmo, como também seus filhos e seus animais?” Jesus respondeu: “Todo o que bebe desta água, terá sede de novo; mas quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede, porque a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna”. A mulher disse então a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir aqui tirar água”. Ele lhe disse: “Vai chamar teu marido e volta aqui!” — “Eu não tenho marido”, respondeu a mulher. Ao que Jesus retrucou: “Disseste bem que não tens marido. De fato, tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é teu marido. Nisto falaste a verdade”. A mulher lhe disse: “Senhor, vejo que és um profeta!

Preste atenção, meu irmão, neste diálogo. Veja a paciência com a qual Jesus tem para entrar na nossa história. Esta mulher samaritana tinha uma história “rasa”. Era uma mulher confusa, perdida, numa vida enrolada. Veja a pedagogia de Jesus: Ele vai pacientemente entrando na história desta mulher. Ele conversa com aquela mulher. Mostra a ela onde ela estava se machucando em sua vida. Mas Jesus não fica somente nisso. Ele também indica àquela mulher o que ela trazia de bom.

Jesus tem uma “água viva” para nos oferecer. Ele quer hoje saciar a nossa sede. A sede da nossa alma. Você que hoje está se machucando em meio aos vícios, à prostituição, à violência e tantos outros males, saiba: Jesus quer saciar a sede da sua alma! Deixe Ele entrar na sua vida e transformar o seu interior.

Jesus revela à samaritana sua identidade de filha de Deus. Hoje o Senhor quer fazer isso conosco: Ele nos revela a nossa identidade de filhos de Deus. Esta é a nossa real identidade. Somos feitos para a felicidade e não para a amargura. Entramos em crises profundas, vamos dando o pior que temos ao marido, à esposa e aos filhos, agimos com ignorância, tudo porque não fazemos este caminho de regresso a Deus em nosso interior e não descobrimos a Sua voz a nos revelar nossa verdadeira identidade de filhos de Deus.

Façamos hoje esta descoberta. Deixemos Jesus sentar-se ao lado do “poço” da nossa existência e falar conosco. Ele quer indicar nossas mazelas e a nossa real identidade. Desta forma, descobrimos a felicidade a partir da bela constatação de que no nosso interior tem Deus.

E, a partir desta constatação, ame concretamente. Porque no nosso interior tem Deus, podemos e devemos agir com amor e por amor. Hoje é o dia para você exercer gestos concretos de amor: um beijo, um abraço, um presentinho (quem não gosta de ganhar um?), um elogio, uma palavra de carinho, enfim, porque Deus habita dentro de nós e descobrimos a Sua presença em nosso interior, reconhecemos a força deste amor que supera todas as feridas e mágoas que trazemos.

 

Padre Adriano Zandoná 

Missionário da Comunidade Canção Nova